
sábado, 22 de agosto de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
A carta de um amigo

A carta que transcrevo abaixo é de um amigo meu (ele me pertimiu a postagem dela). Anteontem, após um dia de serviço, esse amigo me procurou para me dizer algo triste: desabafar. Mas sem forças, sem coragem, com vergonha, talvez, ele não conseguiu dizer quase nada. Simplesmente entregou-me a referida carta. Confesso que admirei-a pela beleza da simplicidade e da sinceridade nela contida. Pareceu-me bela e triste ao mesmo tempo; uma visão nevada de um trem distante que some entre as brumas ao som de uma sonata de Bach. Na verdade, eu não soube o que ocorreu ao certo a ele, mas entendi que foi algo terrível. Confesso que não sou uma pessoa que sabe ministrar palavras confortantes, e esse fato me deixa, eu diria, "desconfortável" pela minha impotência diante de uma situação análoga. Mas assim como nos sentimos bem quando alguém nos escuta num momento de dor, eu notei que ele ficou melhor após eu ter lido a sua carta.
Sabe quando você está cercado de pessoas mas se sente tão sozinho? Quando tantas pessoas te elogiam e você sabe que todas elas te amam? Quando você se deita na cama e entra num sono profundo e se vê num sonho onde tudo o que você quer e precisa está em suas mãos, porém, ao acordar, você vê que tudo não passou de um sonho? Quando seus sonhos e planos parecem distantes e começam a se apagar da sua memória? Quando você vê um lindo rosto de bebê e pensa: "como eu queria ser pai"? E quando você se lembra que ainda não encontrou a pessoa certa para você, e, quando você pensa que achou, ela está bem distante de você? Quando você senta-se à mesa para almoçar no domingo sozinho, e se lembra da comida da sua mãe e dos abraços dela, ou até mesmo dos puxões de orelha dela e do seu pai, e, aí, você recorda das brigas tolas e das vezes que você não disse que os amava muito? Quando você disse coisas que o machucaram, e quando eles disseram que não tinham orgulho de você como filho? No entanto, você aprende que o tempo passa e apaga quase tudo. O pior é quando você tem algo cravado dentro de você mesmo, e você sente tanta vergonha disso, e se sente tão fraco e tão sem armas para lutar contra isso, e você acaba até mesmo tentando se esconder de Deus. E você, tão desesperado no meio desse caminho, se limita a sentar-se numa cama, pegar uma caneta e um papel, e, em meio às lágrimas que escorrem do seu rosto, você clama por socorro...
sábado, 8 de agosto de 2009
Quem está na moda?
Para um amigo

Revirando alguns livros de filosofia da Abril meus, eis que deparei com o texto abaixo. Dedico-o a um amigo "nietzschiniano".
"Sei a minha sina. Um dia meu nome será lembrança de algo terrível. De uma crise como jamais houve sobre a Terra. Da mais profunda colisão de consciências. De uma decisão conjurada contra tudo que até então foi acreditado, santificado, requerido. Não sou um ser humano, sou uma dinamite, na transvaloração de todos os valores. Eis a minha fórmula para um ato de suprema octognose da humanidade que em mim se fez gene e carne (...)".
Friedrich Nietzsche
Onde o sol nasce enquadrado
_Quadrado_preto_suprematista_1914-15.jpg)
Quando eu fiz este poema eu não contava mais de onze anos. Por isso, relevem certas particularidades; são ares de poesia! Poesia de um pré-adolescente. Conservei o texto original datilografado por uma Olivetti, o qual guardo com muito carinho. Ele significa muito para mim - sempre. Não sei se postarei outros poemas meus; desconheço parcialmente as razões de tal decisão.
Onde o sol nasce enquadrado
Em caminhos tortuosos,
Encontra-se, no final,
Um absíntio
de uma prisão,
Sólida,
Com ida,
Sem volta.
Aquele peregrenino
Que tanto aprontara,
Agora, estava ali -
Naquela jaula,
Naquele lugar,
Sem luz,
Sem esperança.
Naquele quarto fechado,
Onde o sol nasce enquadrado.
Naquele canto,
A solidão chegava sem bater na porta;
Dava um vazio:
Parecia que não queria ir embora.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
O porta-retrato

Das velhas lembranças empoeiradas nas mobílias gastas, a que persistia mais fielmente era o porta-retrato dourado com a foto da família num dia de férias num litoral qualquer. Os olhos alegres das crianças, o sorriso modesto do pai e a maternidade de uma mãe cuidadosa sugeriam a aparência de uma família feliz.
Foi numa manhã de domingo. O dia estava nu; nuvens tímidas fugiam para as orlas do firmamento onde um sol imperador dominava invicto. Porém, não obstante a insistência da fulgência do astro-rei vermelho, uma tempestade logo se prenunciou. Um vento impetuoso invadiu a praia de ponta a ponta, e uma horda louca lutava para salvar os pertences enquanto ondas violentas e negras eram vomitadas na areia pura. As crianças apenas sonhavam com mares serenos e barcos brancos... Foram as últimas férias que passaram juntos.
Por que as fotografias mentem tanto?
domingo, 2 de agosto de 2009
O problema do tempo: haverá solução?

Reclamar do tempo, ou da falta dele, virou lugar-comum. Nunca conseguimos fazer tudo o que desejamos e, na maioria das vezes, isso nos frustra de alguma maneira. Numa sociedade consumista tal fato torna-se justificável, pois o tempo é uma "mercadoria" que não tem se conseguido consumir; ou pelo menos, não é consumida da forma que se desejaria: lentamente. O papel do tempo como um algoz massacrante vem de muito tempo. Planos são adiados ou não realizados devido à falta de tempo. Afinal de contas, somos nós que controlamos o tempo, ou ele é quem nos controla? Essa reflexão já me pegou por umas boas noites afora e fez-me pensar em possíveis soluções para essa incógnita. Concordem comigo ou não, penso que o tempo tem nos controlado porque temo-lo deixado fazê-lo. E está na hora de virarmos o jogo nessa questão. Que dane-se o tempo! Daqui pra frente vou fazer tudo que quiser nem que eu tenha que dormir mais tarde e/ou acordar mais cedo. Ah! seria tão bom se fosse assim... Mas não é. Certa vez li algo muito interessante sobre o tempo numa coleção de livros de História a qual não recordo o nome. Lá dizia que o tempo não é uma questão só física, mas, sobretudo, psicológica; ou seja, é na minha e na sua cabeça que está o problema! Logo, deveria estar aí também a tão buscada apaixonadamente e utópica solução. Se alguém encontrou, por favor, me diga, pois tenho medo de futuramente não ter tempo nem de ouvir ou ler a sua "dissolução"...
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