terça-feira, 4 de agosto de 2009

O porta-retrato


Das velhas lembranças empoeiradas nas mobílias gastas, a que persistia mais fielmente era o porta-retrato dourado com a foto da família num dia de férias num litoral qualquer. Os olhos alegres das crianças, o sorriso modesto do pai e a maternidade de uma mãe cuidadosa sugeriam a aparência de uma família feliz.

Foi numa manhã de domingo. O dia estava nu; nuvens tímidas fugiam para as orlas do firmamento onde um sol imperador dominava invicto. Porém, não obstante a insistência da fulgência do astro-rei vermelho, uma tempestade logo se prenunciou. Um vento impetuoso invadiu a praia de ponta a ponta, e uma horda louca lutava para salvar os pertences enquanto ondas violentas e negras eram vomitadas na areia pura. As crianças apenas sonhavam com mares serenos e barcos brancos... Foram as últimas férias que passaram juntos.

Por que as fotografias mentem tanto?

Um comentário:

  1. nossa, lindo! amei o ultimo paragrafo.

    sobre a veracidade das fotos, creio que elas nao mentem, apensas expressam aquilo que um dia vivemos ou que quisemos viver.

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