domingo, 16 de agosto de 2009

A carta de um amigo



A carta que transcrevo abaixo é de um amigo meu (ele me pertimiu a postagem dela). Anteontem, após um dia de serviço, esse amigo me procurou para me dizer algo triste: desabafar. Mas sem forças, sem coragem, com vergonha, talvez, ele não conseguiu dizer quase nada. Simplesmente entregou-me a referida carta. Confesso que admirei-a pela beleza da simplicidade e da sinceridade nela contida. Pareceu-me bela e triste ao mesmo tempo; uma visão nevada de um trem distante que some entre as brumas ao som de uma sonata de Bach. Na verdade, eu não soube o que ocorreu ao certo a ele, mas entendi que foi algo terrível. Confesso que não sou uma pessoa que sabe ministrar palavras confortantes, e esse fato me deixa, eu diria, "desconfortável" pela minha impotência diante de uma situação análoga. Mas assim como nos sentimos bem quando alguém nos escuta num momento de dor, eu notei que ele ficou melhor após eu ter lido a sua carta.


Sabe quando você está cercado de pessoas mas se sente tão sozinho? Quando tantas pessoas te elogiam e você sabe que todas elas te amam? Quando você se deita na cama e entra num sono profundo e se vê num sonho onde tudo o que você quer e precisa está em suas mãos, porém, ao acordar, você vê que tudo não passou de um sonho? Quando seus sonhos e planos parecem distantes e começam a se apagar da sua memória? Quando você vê um lindo rosto de bebê e pensa: "como eu queria ser pai"? E quando você se lembra que ainda não encontrou a pessoa certa para você, e, quando você pensa que achou, ela está bem distante de você? Quando você senta-se à mesa para almoçar no domingo sozinho, e se lembra da comida da sua mãe e dos abraços dela, ou até mesmo dos puxões de orelha dela e do seu pai, e, aí, você recorda das brigas tolas e das vezes que você não disse que os amava muito? Quando você disse coisas que o machucaram, e quando eles disseram que não tinham orgulho de você como filho? No entanto, você aprende que o tempo passa e apaga quase tudo. O pior é quando você tem algo cravado dentro de você mesmo, e você sente tanta vergonha disso, e se sente tão fraco e tão sem armas para lutar contra isso, e você acaba até mesmo tentando se esconder de Deus. E você, tão desesperado no meio desse caminho, se limita a sentar-se numa cama, pegar uma caneta e um papel, e, em meio às lágrimas que escorrem do seu rosto, você clama por socorro...

3 comentários:

  1. leva esse seu amigo a seçao do descarrego da iurd, pois ele nao esta sozinho. com certeza ele deve ter lido o livro da capa preta de cipriano....muleque mais deprê...
    af ¬¬

    bit+

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  2. Eu acho que não é só solidão.
    Tem alguma coisa mais. No entanto, ficamos só com a beleza da tristeza que estão nessas palavras.

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  3. E quem diria que em vida você ia acolher tantos e tantos outros alunos com o mesmo carinho... Nunca vamos esquecer você, professor! Sua empatia já existia anos antes para com os seus... Ainda não acredito que o mundo não vai mais ter você.

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